Mortalhas da luxúria

Sopra o ventre universal a surtar de tempos em tempos.
A de nos cobrir de beijos a boca rubra ao venerarmos a simples existência.
A essência da busca apaga as cores que me perseguiam através do caminho.
Acordo estirado a esmo em meio ao enxame de bosques anêmicos, lacrimejando orvalhos estrangulados, suando uma dor suada e comestível em um êxtase indecifrável, aonde emergem da clareira os esboços de um alvorecer decepado pelo meu grito que traduzia eu Ter achado o que sempre profetizei como herança.
A vagabundagem, a bebedeira, vários e enigmáticos delírios e finalmente a amnésia.
Minha calça e botas, para não esquecer também a camisa, são ornamentos de cinzas e manchas de dias, noites e madrugadas bem vividas. Mas, não vívidas em minha mente.
São minhas mortalhas de luxúria.
Com o olhar irônico e o corpo em mutação eu corria atrás de algo para refrescar o meu semblante que insistia em um estado frenético, nesta noite que sai para ver se a lua espelhava a terra e se a terra espelhava algum rosto.
Um rosto era tudo o que eu queria enxergar.
Para um rosto, eu tinha muita coisa a perguntar e indagar.
Ouvindo o rufar.
Sentindo o brilhar.
Olhar....
Carluxo. (registrado)

2 comentários:

Juju Hollanda disse...

uh-hu!

antes tarde do que nunca...
e lindo... as always...
tocante... as always...
and so on...
so on...

Bjos
:***

Ratos Di Versos disse...

Noites vividas e não vívidas!
Vidas e não vívidas. Para um poeta bastam as botas e as calças que se gastem e demonstrem um pouco do que foi e será!
Para um poeta apenas ver alguém, o espelho da lua e de nada lembrar, que a poesia se fará piro-para-profetica-mente grafar!

Beijos e VAI VIVER e quiçá esquecer para escrever!
obs> as palavras de permissão para edição, vieram: vafeto Eu traduzo em vê afeto!
Mari