Passos

Ouço passos na calçada. Ratos saem dos bueiros e vão para os bares beber cerveja e comprar cigarros. Eu desejo suspirar, mas eles não deixam rastro. Não sei por onde começar a andar.

No labirinto das ruas ouço passos na calçada. Passos ritmados no compasso da batida do meu coração. Tum-tum-tic-tic-tic.

Tento colocar meu all star nos lugares que foram pisados pelos ratos, mas as patas minúsculas não deixam rastro. Sem marcas fico parada no meio do caminho. Não sei para onde andar...

Estática ouço passos na calçada que espera por passos mais largos. Gostaria de ouvir os passos minúsculos dos ratos nas calçadas.

Preferia ouvir o seu chamado. Assim, saberia para onde seguir. O celular não toca. Ninguém liga.
Ninguém virá resgatar-me.

Vão deixar-me no meio da rua, sozinha, parada ouvindo passos na calçada.

4 comentários:

Ratos Di Versos disse...

O poema É LINDO mas existe um engano: o queijo está sempre nas mãos dos Ratos!
Tele-pronto!!!!!!!!!

Beijukas
maris

Saulo Jacques disse...

é a ratalhada conduzindo a dança!

o melhor a fazer é procurar a calçada de tijolinhos amarelos ou um beco qualquer.

Beatriz Tavares disse...

Gostei, Juju! Tem um ritmo bom! É triste... "Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, se não não se faz um samba não"... Beijos!

maristotelica.blogspot disse...

É isso aí, BIA!
Samba, juju!
Samba que Vinícus é primo do Bukowisky e irmão do Cartola!
Não falta gente boa pelas ruas que te dê um samba bom!
Nós, inclusive!
Beijukas
Marisrata - a Matahari morreu!